O caso da televisão em Atenas

Aprender sobre outras culturas e como os mais diversos povos se relacionam com tudo o que os cerca é sempre fascinante e, ao mesmo tempo, curioso. Curioso porque é comum nos pegarmos traçando paralelos entre o diferente e a nossa realidade. Falando em diferença (foco do post de hoje), um aspecto diferenciador entre os países ao redor do mundo é a forma como lidam e se relacionam com o audiovisual.

Nesta segunda sexta-feira de março, eu gostaria de contar brevemente da experiência que tive em alguns países na minha primeira viagem à Europa, em 2014, principalmente no país que mais me chamou a atenção: a Grécia, mais especificamente, Atenas, sua capital.

Antes de contar um pouco da minha experiência na Europa, acho importante relembrar como a dublagem e a legendagem se portam em nossos canais de televisão. Na TV aberta, a programação dublada sempre foi o padrão, enquanto que na fechada, legendagem e dublagem coexistem há muito tempo. No entanto, como já abordei em um post aqui do blog, a dublagem vem conquistando um espaço cada vez maior nas grades de vários canais para alegria de uns e insatisfação de outros.

Um fato curioso de que me lembro é que, há alguns anos, nos canais destinados ao público infantil/adolescente como Nickelodeon e Disney Channel, por exemplo, eu não tinha a opção de colocar o áudio em inglês, algo que já é possível hoje em dia. Entretanto, ao realizar essa mudança, é preciso se garantir, já que não há opção de legendagem como ocorre nos programas exibidos em canais como Telecine, GNT ou Viva.

Tendo isso em mente, vamos pra Europa! Em uma viagem que durou três semanas, tive a oportunidade de visitar cidades de quatro países diferentes: Paris, na França; Berlim, na Alemanha; Varsóvia e Cracóvia, na Polônia; Viena, na Áustria e, como última parada antes de voltar ao Brasil, Atenas, na Grécia. Antes de mencionar Atenas, foco do post, preciso comentar uma coisa. Durante o tempo em que fiquei em Paris no começo da viagem, tive a proeza de ver cenas da novela brasileira Insensato Coração dublada em francês na pousada onde me hospedei. Admito que foi uma sensação muito engraçada ouvir atores brasileiros consagrados como Antônio Fagundes, Paolla Oliveira e Eriberto Leão falando em francês. Dá pra imaginar?

Já imaginou grandes atores da Globo falando em francês?

Pois bem, dando um pulo temporal e indo pra última cidade do roteiro, foi em Atenas onde tive a experiência mais inusitada ao ligar a televisão do hotel. De noite, após chegar de Viena e desfazer as malas, fiquei passando de canal em canal por um tempo até parar na Nickelodeon. Pensei comigo: “Vamos ver um pouco da dublagem grega dos desenhos e das séries e ver se é legal.” E só após ficar assistindo por um tempo, tive a grande surpresa: não é que os desenhos eram dublados em grego, mas as séries live action eram legendadas e mantidas no áudio original em inglês?

Eu sei que fiquei alguns segundos refletindo sobre aquilo e, automaticamente, traçando um paralelo com a nossa realidade brasileira. Na minha opinião, creio que, para muitos que me cercam, talvez a solução grega fosse a ideal, já que a receptividade em ver animações dubladas aqui no Brasil tende a ser muito maior do que ver programas e filmes dublados com atores estrangeiros famosos.

Além disso, diante daquela ocasião em Atenas, me lembrei na hora do que mencionei no começo desse post referente aos canais mais voltados para o público infantil/adolescente como Nickelodeon e Disney Channel aqui no Brasil. O fato de que, durante um tempo, não havia a opção de assistir à programação em seu áudio original era algo do qual sempre discordei. Por mais que eu trabalhe na área de dublagem, ter o direito de assistir à programação, seja dublada ou no idioma original é bom e todo mundo gosta, não é verdade?

E você? Já teve alguma experiência parecida em alguma viagem? Espero que tenha gostado do meu breve relato de hoje e, caso tenha alguma história parecida, não deixe de comentar, viu? Um grande abraço e até o próximo post! 😉

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6 comentários em “O caso da televisão em Atenas

  1. Gostei, Paulo. Também gosto de observar as diferenças qdo viajo. O áudio original pode ajudar a entender, se a pessoa não fala aquela língua (grego, japonês, russo, sei lá! Crianças podem pedir ajuda aos pais p/ entender. Ou devem apenas assistir as imagens? Fica chato. Depois de um tempo, cansa.

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  2. Oi, Paulo. Morei na Nova Zelândia por três meses, mas foi há muito tempo. E não lembro de ter visto alguma dublagem brasileira nos canais de lá, nem da Austrália, onde fiquei quinze dias. Pode ser que agora já haja essa oportunidade. Mas falando sobre dublagem brasileira, às vezes quando assisto primeiro a filmes ou séries dubladas em português e depois os revejo no idioma original, sinto uma grande diferença e prefiro a dublagem. Um exemplo disso é a série Hawaii 5.0. Todos os dias, às 16h30 eu paro para assistir no AXN. Houve um dia em que eles colocaram um episódio em inglês com legenda. Nossa, ficou muito estranho! O mesmo aconteceu hoje, com um clássico “Máquina Mortífera”. Sem dúvida, prefiro a dublagem. É engraçado, mas você acostuma com os personagens e esse efeito pode ocorrer ao inverso.

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    • Exatamente, Ligia. A dublagem mexe muito com nossas emoções e sensações. Geralmente o que a gente vê primeiro é o que costuma ficar na nossa mente, não tem jeito, né? =) Beijo grande!

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  3. Muito legal! Por mais que a gente saiba que as novelas brasileiras são vistas em outros países, deve ter sido um susto ligar a TV e estar passando uma novela daqui. Pelo jeito, a França é uma grande consumidora das nossas novelas. Esses dias, eu estava vendo o filme “13º Distrito” e logo na primeira cena tem dois caras vendo TV e tá passando uma novela brasileira (acho que Senhora do Destino) – só achei estranho de a novela estar em português mesmo, e sem legendas. Vai ver os caras eram portugueses ou brasileiros? Mas falavam em francês…. Sei lá, aquele filme também tá longe de ser dos mais realistas que eu já vi!

    E sobre o caso da Grécia, em Portugal é o mesmo esquema: desenhos, dublados (nem sempre bem… vide Dragon Ball Z com falas clássicas como “é a Miss Portugal 97!” e “dá-lhe um pontapé no c*!” – lembrando que “c*” em Portugal não é palavrão! – e a voz do Vegeta tendo mudado umas três vezes durante a série), mas qualquer live action, legendado.

    Aliás, dois pequenos exemplos da dublagem (ou dobragem, como eles chamam) de Dragon Ball Z:

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